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ALMINO AFFONSO

Quando Almino Affonso se investiu em mandato legislativo, no período do nascente regime republicano brasileiro, ainda predominava de alguma forma, como resquício natural devido ao hábito secular, a atmosfera retrógrada do modo de governar.

26/12/2021 11h40
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Por: Adrovando Claro
ALMINO AFFONSO

Por: Jurandyr Navarro

Considerado o Orador da Abolição no Nordeste brasileiro. Político dos mais austeros da sua geração e da cronologia histórica do Rio Grande do Norte. Da bancada potiguar, das duas Câmaras Altas do País, foi Almino Álvares Affonso o maior defensor dos interesses da terra de Padre Miguelinho.

Quando Almino Affonso se investiu em mandato legislativo, no período do nascente regime republicano brasileiro, ainda predominava de alguma forma, como resquício natural devido ao hábito secular, a atmosfera retrógrada do modo de governar. As mudanças sociais preconizadas, no final do Império, pelo jornal Opinião Uberal inscreviam reformas radicais: "ensino livre; descentralização administrativa; abolição da Guarda Nacional; Senado temporário e eletivo; extinção do poder moderador trabalho livre; separação da judicatura da polícia; sufrágio direto e generalizado; presidente de província eleito pela mesma; suspensão e responsabilidade dos magistrados pelos tribunais superiores e poder legislativo; magistratura independente e escolha de seus membros fora da ação do governo; proibição dos representantes da Nação de aceitarem nomeação para empregos públicos e igualmente títulos e condecorações; opção pelos funcionários públicos, uma vez eleitos, pelo cargo de representação nacional".

O "Opinião Liberar' foi o núcleo do chamado Partido Liberal, que em 1870 se bandeou em grande parte para o Partido Republicano.

Tais considerações foram extraídas da obra de Caio Prado Jr. "Evolução Política do Brasil" (Colônia e Império).

Diz o autor, narrando o desenrolar dos acontecimentos: "Forças mudas começam a minar as bases do trono e, embora a opinião republicana se alastrasse lentamente, é sensível o desprestígio em que vão caindo as instituições monárquicas. O Império se mostrava incapaz de resolver os problemas nacionais, a começar pela emancipação dos escravos, de cuja solução dependia o progresso do País. E por isso sua estabilidade definitivamente comprometida.

Por que esta imobilidade do Império? Por que esta incapacidade de se adaptarão processo evolutivo do País? Já falamos nas instituições em que se fundava e que lhe emperravam a marcha. Mas, ao lado delas estava o próprio imperador, escorando-as e escorando também o vetusto arcabouço da política retrógrada dos Cotegipes e Itaboraís. Absorvido por minúcias administrativas e manias literárias que em seu medíocre espírito degeneraram num diletantismo vazio, era D. Pedro o instrumento talhado para realizar esta política: apavorava-o tudo quanto fosse mudança, temia tudo quanto significasse marcha para frente.

O último decênio do Império é de completa decomposição. Arrastado malgré soi, ia cedendo em doses homeopáticas; mas com isto desgostava gregos e troianos: uns. porque fazia de menos; outros, porque fazia demais. A 

Abolição, afinal decretada em 1888, em nada contribuiu para reforçaras instituições vacilantes: confiança perdida dificilmente se recupera, e por isso serviu a Abolição apenas para alienar do trono as últimas simpatias com que ainda contava. Quando Ouro Preto pensou galvanizar o Império moribundo com seu imenso programa de reformas, era tarde: ele já agonizava. Uma simples passeata militar foi suficiente para lhe arrancar o último suspiro..."

Os prosélitos do Partido Republicano tiveram de mudar hábitos arraigados. Em nosso Estado, por exemplo, foi difícil manter o governo afastado da prática perniciosa do nepotismo. Outros vícios, como a corrupção, ainda perduram.

Almino Álvares Affonso foi um dos precursores para fazer as mudanças saneadoras tendo à frente a sua personalidade marcante. Ele que tomara parte ativa da abolição da escravatura, empunhando a bandeira com sua oratória libertadora.

Espírito polêmico, jamais se eximiu na luta desigual travada entre a política dos Estados fortes contra os Estados fracos, respectivamente sulistas e nortistas. O seu verbo combativo e eloquente impediu que tomasse corpo a ideia preconcebida de suprimir o Rio Grande do Norte do mapa nacional como unidade federativa.

Os seus pronunciamentos além de empenharem a chama cintilante de sua inteligência conduziam o calor emocional do seu ardente coração. Não usava de subterfúgios comprometedores para sua altiva personalidade, nas decisões políticas. Sempre foi fiel à confiança dos sufrágios dos seus compatriotas, que viam nele o Advogado das boas causas e obstinado defensor dos oprimidos.

Toda essa lida de vários anos ele empreendeu pela imprensa escrita e na tribuna do Parlamento. E para ter êxito no ardoroso trabalho usou a oratória inflamável, corajosa e convencedora.

As tribunas da praça pública e do legislativo foram os principais veículos da sua retórica vitoriosa.

Almino Affonso tinha preparo intelectual das letras clássicas, sendo o idioma latino o ponto alto de seus estudos linguísticos. Atuou como jornalista no Ceará e no Amazonas. Na política exerceu mandatos de Vereador, Deputado Federal e Senador.

Como cidadão a dignidade foi o seu maior galardão. E na investidura do múnus público foi sempre um idealista.

Raros os políticos da gleba potiguara que o igualaram na virtude tribunícia.

Nasceu no Município de Martins aos 17 de Abril de 1840, vindo a falecer aos 13 de Fevereiro de 1899, ano do nascimento de João Café Filho. Apagava-se uma estrela e ressurgia outra no firmamento da política do Rio Grande do Norte.

A exemplo do Padre João Maria que momentos antes de expirar entoava hinos à Nossa Senhora, Almino Affonso murmurava preces sagradas no idioma do Lácio.

 

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