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Saúde Anemia

Cuidados odontológicos em pacientes com anemia falciforme

A anemia falciforme é a doença hereditária mais prevalente no Brasil.

03/01/2022 10h54
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Por: Adrovando Claro Fonte: Casa Durval Paiva
Cuidados odontológicos em pacientes com anemia falciforme

Por Anna Crisllainy da Costa Monteiro - Odontopediatra Casa Durval Paiva - CRO/RN 4839

A anemia falciforme é uma doença hematológica crônica sistêmica e hereditária, caracterizada pela alteração na forma dos glóbulos vermelhos do sangue (hemácias), cuja forma é semelhante a uma foice. Por ter a forma alterada, essas células se rompem mais facilmente e não conseguem transportar oxigênio para os órgãos, causando anemia e prejudicando a saúde de todos os tecidos do corpo.

A anemia falciforme é a doença hereditária mais prevalente no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, a triagem neonatal nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro mostra a incidência de traço falciforme de 1 a cada 21 nascidos vivos e de doença falciforme de 1 a cada 1.200 nascimentos. Na Bahia, são 1 a cada 650 para a doença e 1 a cada 17 para o traço. Com base nesses dados, acredita-se que nasçam no país, anualmente, cerca de 3.500 crianças com a doença falciforme e 200.000 portadores de traço. A condição é mais comum em indivíduos da raça negra.

A anemia falciforme tem períodos de agudização, conhecidos como crises vaso-oclusivas ou crises dolorosas. Cada surto dura de 3 a 10 dias e alguns agentes desencadeadores das crises são: Infecções, desidratação, acidose, hipertermia, estresse emocional e exercícios físicos rigorosos. A dor decorrente da insuficiência vascular é irradiada e os locais mais comumente comprometidos são os ossos, pulmões, regiões abdominal e dorsal, fígado, cérebro e baço. A evolução da doença pode gerar complicações em qualquer parte do organismo, principalmente, nas áreas mais comprometidas pela hipóxia e pelo infarto.

Entre os sinais e sintomas mais frequentes estão icterícia; palidez da pele e das mucosas; úlceras nas pernas; organomegalia; alterações cardíacas em decorrência da hipóxia miocárdica; complicações do sistema nervoso central, principalmente na forma de cefaleias, convulsões, hemiplegia e acidentes vasculares cerebrais. É possível encontrar alterações ósseas, hepatomegalia, hematúria, insuficiência pulmonar e renal, cálculos pigmentares na vesícula, produzidos pela hiperbilirrubinemia. Ocasionalmente, ocorrem alterações oculares, caracterizadas por infartos retinianos, retinite proliferante e deslocamento de retina.

Apesar de ter sido considerado um tipo de doença essencialmente da infância e atingir a mortalidade de até 20%, antes dos três anos de idade, o diagnóstico feito logo após o nascimento e os avanços das pesquisas clínicas têm aumentado a expectativa de vida dos indivíduos acometidos. Fator importante para tal melhora é que as complicações agudas, especialmente durante a infância, passaram a ser reconhecidas mais precocemente.

A cada dia, aumenta o número de portadores de anemia falciforme que procuram tratamento odontológico de rotina, muitas vezes por recomendação médica. O tratamento odontológico deve ser realizado durante a fase crônica da doença e quando não houver evidências de início de uma crise. A susceptibilidade às infecções que a anemia falciforme causa nos pacientes é um fator importante e relevante para o atendimento odontológico. Estes são considerados imunodeprimidos, principalmente devido à asplenia funcional.

Por isso, é sabido que infecções bucais podem gerar infecções em outros órgãos do organismo, as chamadas infecções metastáticas de origem bucal. Elas podem ocorrer, principalmente, devido à possibilidade de bactérias presentes na placa bacteriana e nas lesões infecciosas se aprofundarem nos tecidos e/ou terem acesso à circulação linfática e sanguínea, causando bacteremias e, assim, serem veiculadas para outros órgãos onde podem se instalar, colonizar e causar lesões.

Desta forma, justifica-se realizar profilaxia antibiótica, exceto nas crianças que fazem uso diário de antibiótico, o que é bastante frequente até, aproximadamente, os 5 anos de idade, frente a procedimentos invasivos, que possam gerar sangramento e promover bacteremia.

Na casa Durval Paiva, o serviço de odontologia oferece assistência odontológica às crianças e adolescentes portadores de anemia falciforme, oferecendo tratamentos odontológicos seguros, sempre visando a prevenção de infecções bucais e o aumento da qualidade de vida.

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Uso da morfina em crianças com câncer
Isabelle Resende - Farmacêutico Casa Durval Paiva - CRF2541

A morfina é o analgésico mais utilizado para tratar e controlar as dores em crianças e adolescentes, durante o tratamento oncológico. O potencial de analgesia é alto e pode permanecer no organismo até 8 horas, promovendo um conforto maior ao paciente e alívio das dores, inclusive em casos mais extremos, em que o paciente se encontra em estágio terminal. Todo uso deve ser prescrito pelo médico oncologista, principalmente, o ajuste das doses, pois o excesso e o uso indevido podem ocasionar sérios danos adversos, como transtornos psíquicos, cardíacos, respiratórios, etc.

No tratamento, a dor pode influenciar na rotina diária, deixando o paciente agitado, irritado, com dificuldade para se alimentar e se negando a aderir à terapia medicamentosa. É importante que essa dor seja relatada ao médico, pois a morfina age no sistema nervoso central e em outros órgãos, tratando a dor intensa. Ela tem uma grande vantagem, pois começa a fazer efeito com até 30 minutos e o tempo de analgesia é de 3 a 8 horas, deixando o paciente mais confortável, em relação à dor.

Conforme a intensidade da dor, o ajuste da morfina deverá ser feito, de forma criteriosa, observando o estado clínico em que o paciente se encontra, pois altas doses de morfina podem ocasionar constipação severa, alucinações e dores de cabeça.

As altas doses de morfina servem para dar conforto aos pacientes. Em crianças e adolescentes, que estão com o câncer em estágio mais avançado ou em tratamento de cuidados paliativos, é necessário que se faça a morfina de resgate, prescrita pelo médico oncologista. Nestes casos, o medicamento será administrado em curtos espaços de tempo, além da dose que, diariamente, já é administrada, ela vai tratar a dor que é muito forte e aguda para o conforto do paciente, com o objetivo de alívio das mesmas, obtendo menores efeitos adversos.

No tratamento oncológico, a receita médica é indispensável, pois os pais, em busca de amenizar os sintomas de seus filhos, não percebem que a automedicação pode trazer sérios riscos. Todas as medicações são disponibilizadas de forma gratuita aos pacientes da Casa Durval Paiva, a dispensação é realizada, apenas, mediante prescrição médica, pelo farmacêutico.

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