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Como o SENAI-RN e as empresas do setor estão trabalhando para aumentar o número de mulheres trabalhando nos parques eólicos

Ao menos cinco empresas brasileiras e transnacionais do setor de energias renováveis procuraram o CTGAS-ER desde 2021 em busca de soluções específicas de educação na área.

07/03/2022 10h04
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Por: Adrovando Claro Fonte: Renata Rayane Moura da Silva Rodrigues
Como o SENAI-RN e as empresas do setor estão trabalhando para aumentar o número de mulheres trabalhando nos parques eólicos

O mercado de trabalho precisa de mais de 136 anos para que o mundo atinja equidade de gênero, estima o Fórum Econômico Mundial. Apesar de a participação feminina estar crescendo no setor de energia eólica, entendemos que o caminho ainda é longo e, para atividades mais técnicas, ligadas à Operação e Manutenção dos Parques e mesmo para as obras, por exemplo, o esforço ainda deve ser maior, porque estas são áreas ainda majoritariamente masculinas. Pesa sobre isso todo uma ideia coletiva de que as meninas não costumam escolher carreiras mais técnicas e científicas, as chamadas carreiras STEM (sigla em inglês para as carreiras de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). De acordo com Relatório da Unesco de 2019, apenas35%das alunas na área científica-técnica no ensino superior são mulheres. 

Considerando os dados acima, gostaríamos de sugerir uma pauta sobre o movimento do mercado eólico para promover o aumento de mulheres em operações mais técnicas de Operação e Manutenção e também na construção de parques eólicos. Para isso, consultamos as empresas do setor eólico que são nossas associadas e reunimos, abaixo, algumas iniciativas que podem interessar para a pauta. 

Fiquem à vontade para entrar em contato direto com as empresas e, se precisar de algum dado setorial sobre o setor eólico, a ABEEólica está à disposição. Deixo aqui para vocês link com dados gerais do setor, caso seja útil para contextualizar as histórias: http://abeeolica.org.br/wp- content/uploads/2022/01/2022_01_InfoVento24.pdf 

AES BRASIL 

O complexo eólico de Tucano (BA – 365,8 MW) , de propriedade da AES Brasil, deve ser operado por um time 100% feminino. 

Em alinhamento com os objetivos estratégicos e desenvolvimento social que norteiam os negócios da Companhia, a AES Brasil implementa seu Programa de Diversidade, Equidadee Inclusão. Como uma frentede estratégia de atuação, o projeto visa a estabelecer diretrizes para o estímulo e a valorização da diversidade, a fim de combater a discriminação e identificar as opiniões e percepções de seus colaboradores. A empresa teve um aumento de 32% no número de mulheres em comparação a dezembro de 2020 29% de crescimento na liderança feminina na comparação entre 2020 e 2021, reflexodos esforços para a valorização de talentos femininos tanto no pipeline de sucessão quanto em novas contratação, superando a meta de aumentar em 15% o número de mulheresno quadro funcionalgeral. 

A AES Brasil é liderada pela CEO Clarissa Sadock, e ao longo do ano de 2021, tem realizado constantemente palestrascom especialistas para disseminar a necessidade da diversidade, equidadee inclusão, bem como treinamentos para a capacitação da liderança, que vem atuandocomo patrocinadores do programa interno. 

Como uma das primeiras ações afirmativas em prol de ampliar a participação de mulheres no setor elétrico, a AES Brasil, em parceria com o SENAI da Bahia,desenvolveu o Curso de Especialização Técnica em Operação e Manutenção de Parques Eólicos. O programa, que teve início em março de 2021, promovendo a capacitação técnica de mulheres da região para ingressar no mercado de trabalho, em especial na operação de plantas do Complexo Eólico de Tucano. 

No início de outubro de 2021 ocorreu a formatura das participantes por meio de um evento online, que contou com a participação da CEO da Companhia, Clarissa Sadock. “É uma conquista para nós podermos vivenciar de dentro esse momento em que a mulher tem ocupado espaços nunca antes imaginado e sermos valorizadas pelo o que somos, pela nossa capacidade. Ficamos lisonjeadas em saber que uma empresa como a AES Brasil está abraçando essa causa e contribuindo efetivamente para que mudemos essa realidade. Gratidão pela oportunidade, juntassomos mais fortes”,declara a aluna do curso,Camila Santana da Silva e Silva 

O Complexo Eólico Tucano tem previsão para início da operação comercial prevista para o 2º semestre de 2022, e contempla a fase da joint venture, com controle compartilhado com a Unipar,e a fase 2 do acordo de compra e venda de energia com a Anglo American, que juntas totalizam 322,4 MW de capacidade instalada. Serão disponibilizadas 13 vagas, sendo que 5 mulheres já foram contratadas. A previsão é que até março de 2022, todas as vagas serão preenchidas para o início da operação da planta. Segue, abaixo, exemplo de material que a empresa vem produzindo para divulgar a iniciativas para inserção de mais mulheresna operação e manutenção de parques eólicos. 

Casa dos Ventos 

Como signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), a Casa dos Ventos trabalhade forma alinhada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às melhores práticas de ESG. Entre suas iniciativas em prol desses objetivos está a promoção de cursos profissionalizantes, como carpintaria e construção em alvenaria, em comunidades vizinhasaos seus complexoseólicos Rio do Vento, no Rio Grande do Norte, e Babilônia Sul, na Bahia. Os cursos serão realizados ao longo de 2022, terão inscrição gratuita e 50% das vagas serão destinadas prioritariamente para mulheres. 

EDP e EDP Renováveis 

A EDP e a EDP Renováveis lançaram, globalmente, a campanha #Rebelsforchange, cujo objetivo é promover a discussão sobre a necessidade de termos mais mulheres nas carreiras STEM e incentivar esta escolha. Saiba          mais          em           https://www.edpr.com/en/rebelsforchange                     e https://www.instagram.com/rebelsforchange_byedpr/ 

ELERA 

Em parceria com o SENAI-RN, a Elera realiza cursos de capacitação de mulheres para a fase de construção dos parques eólicos. Esta também é uma etapa em que a mão de obra costuma ser majoritariamente formada por homens, e as mulheres sequer se inscrevem nos cursos de construção, mesmo que sejam gratuitos e ofereçam uma nova possibilidade profissional, dado o histórico de esta ser uma profissão “para homens”. Por isso, a Elera resolveu fazer estes cursos e deixar muito claro em todas suas divulgações que os cursos são para as mulheres também. Abaixo exemplo de folder da empresa de divulgação do curso para a região de Parelhas, no Rio Grande do Norte, onde será iniciada a construção do complexo Eólico Seridó este ano. 

ENGIE BRASIL 

A ENGIE Brasil Energia tem atualmente 74% de homens (932) e 26% de mulheres (320) em seu quadro de funcionários. Na divisão por áreas, no entanto, embora as áreas administrativas (SG&A) já estejam em equilíbrio de gêneros (50-50), as áreas de Operação e Manutenção (O&M), bem como Implantação de projetos, os percentuais ainda são muito baixos. Para impulsionar estes números e promover um pipeline de talentos femininos para alcançar paridade de gênero também nas posições de gestão até 2030, a ENGIE Brasil Energia está trabalhando na base da formação de mulheres para atuação em áreas técnicas de Operação e Manutenção (O&M), por entender que esse é um processo de longo prazo. A jornada se iniciou na Bahia, no município de Umburanas, onde a empresa tem projetos eólicos, em uma região desafiadora por natureza: embora fértil em ventos, o sertão baiano sofre com a estiagem e com a falta de oportunidades. 

No projeto piloto em Umburanas, foi aberta uma turma exclusiva para mulheres do curso de Auxiliar de Eletricista para Aerogeradores, em parceria com o SENAI-BA, com 25 vagas disponíveis. Foram 180 horas/aula para um grupo diverso: 68% das participantes se declaram pardas ou pretas, 68% delas têm entre 18 e 29 anos e 32% entre 30 e 49 anos. Com o sucesso do projeto e a firmeza no Compromisso de acelerar e desenvolver mulheres nas áreas técnicas de O&M, a ENGIE Brasil Energia abriu uma segunda turma, dessa vez para 20 mulheres. O curso, mais curto, teve 120 horas/aula. 

E o projeto cresceu ainda mais. A ENGIE Brasil Energia e o SENAI-RN criaram o Programa Tecnologia em Geração Eólica e Geração Fotovoltaica. A iniciativa oferece capacitação inédita para formação profissional de mulheres em Lajes, RN. São cursos ofertados de forma gratuita de Tecnologia em Geração Eólica e Introdução às Tecnologias de Geração Fotovoltaica, custeados pela ENGIE. Ao todo, foram 31 mulheres participantes, divididas em uma turma exclusivamente feminina, à tarde, e uma turma mista, à noite, na qual elas ocupam metade das vagas, cada curso com 52 horas/aula. 

No Rio Grande do Norte, a ENGIE segue atualmente com a implantação do Conjunto Eólico Santo Agostinho, com conclusão prevista para 2023, receberá R$ 2,2 bilhões em investimentos e deverá gerar aproximadamente 1 mil empregos diretos na região. Em ambos os estados, a ENGIE começará a abrir as vagas nos próximos meses e essas mulheres poderão participar dos processos, com preparação técnica coerente. Vale lembrar que no Rio Grande do Norte, estado com mais projetos em implantação de energia eólica, a capacitação oferecida para as novas técnicas facilitará que elas tenham acesso a oportunidades em outras empresas além da ENGIE que começarão a trabalhar na região. 

Outras iniciativas para promover a igualdade de gênero 

A ENGIE assumiu compromisso com o WEPS (Women Empowerment Principles, ou Princípios do Empoderamento das Mulheres), uma iniciativa da ONU Mulheres e OIT, que é um compromisso de longo prazo para que o tema se torne um valor compartilhado por todos e todas nas diversas esferas que interagem na empresa. 

A Companhia também faz parte do Movimento Mulher 360, composto por um grupo de mais de 60 empresas, comprometidas em promover a diversidade e a equidade de gênero no ambiente corporativo. 

GE Renewable Energy 

A fábrica de pás eólicas da GE, a LM Wind Power, fechou uma turma 100% feminina de 30 jovens  aprendizes em Suape (PE). Elas estão atuando no ambiente industrial, espaço de trabalho formado tradicionalmente           por    homens.  Veja, no             link,            mas                     informações     da     empresa  sobre a              ação: https://gereportsbrasil.com.br/lm-wind-power-empresa-da-ge-renewable-energy-fecha-turma-100- feminina-de-jovens-aprendizes-em-caf30edb6dbe 

Além disso, a GE tem se comprometido em aumentar a contratação de mulheres para O&M e vale destacar que eles já têm a primeira Site Leader em um Parque Eólico na América Latina. Ana Cecilia Souza atualmente é responsável pelo planejamento do trabalho dos técnicos de campo da GE em um parque no Piauí. Além disso, a GE também conta com a primeira Site Manager da empresa na região, a Fernanda Celupi, responsável pela gestão de questões contratuais e interface direta com o cliente em um parque no Ceará. 

Senai 

No SENAI-RN - que engloba o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) e o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), as principais referências do SENAI no Brasil em educação profissional e Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação com foco no setor - “igualdade de gênero” e “inclusão” são tratadas como questões estratégicas e a demanda que chega das empresas nesse sentido está em ascensão desde o ano passado. 

Ao menos cinco empresas brasileiras e transnacionais do setor de energias renováveis procuraram o CTGAS-ER desde 2021 em busca de soluções específicas de educação na área. A busca principal é por formação de turmas exclusivas para mulheres ou turmas mistas em que elas sejam especialmente incentivadas a participar. 

Ações nesse sentido são desenvolvidas com a ENGIE Brasil, em Lajes- município potiguar com mais parques eólicos em desenvolvimento - onde executamos em janeiro de 2022 o “Programa Tecnologia em Geração Eólica e Geração Fotovoltaica”, com cursos de eólica e solar para turma exclusiva de mulheres e outra mista, em que as alunas ocuparam metade das vagas. 

Também em janeiro saímos a campo com a missão de atrair mulheres para cursos de pedreiro de alvenaria e armador de ferro que a Elera Renováveis vai promover com o CTGAS-ER em outro município potiguar: Parelhas. A intenção nos dois municípios é aumentar a oferta de pessoas qualificadas, independente de gênero, para que tenham mais chance de ocupação em obras e nas fases de operação e manutenção de parques eólicos. Projetos com outras empresas do setor, com propósitos parecidos, estão atualmente em negociação. 

O CTGAS-ER também está neste momento trabalhando em um diagnóstico específico sobre a presença feminina nos cursos que realiza. A largada para o início dos trabalhos, que envolvem traçar o perfil das meninas e mulheres que estudam ou estudaram no Centro, a participação delas no universo da educação voltada ao setor de energia e nos demais cursos que a instituição oferece, o que entendem sobre diversidade e possíveis sugestões para a área, foi dada em fevereiro deste ano. 

A ideia é que o diagnóstico contribua para a elaboração de estratégias do Centro, para que as soluções que oferece ao mercado sejam cada vez mais assertivas e promovam igualdade de oportunidades para todas as pessoas - nesse caso específico, por meio do incentivo à participação de meninas e mulheres em cursos de qualificação e profissões tecnológicas, incluindo as do setor de energia, assim como em outras áreas onde os homens predominam. 

Os esforços nessa direção estão alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que buscam, de forma geral, acabar com a pobreza, reduzir desigualdades, fomentara educação de qualidade e combater as mudanças climáticas no mundo. 

Vestas 

A Vestas tem conseguido aumentar o percentual de mulheres em posições mais tecnológicas e hoje tem mulheres s nas posições de, por exemplo, Scheduler, Installation supervisor e Construction Apprentice. Elas podem trazer diferentes pontos de vista para matérias sobre o tema, contando suas experiências. 

 

 

 

 

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