Quarta, 25 de Maio de 2022 19:27 84 98733 4107
Cultura Documentário

Documentário Carneirinho de Ouro revisita clube e bar da Ribeira

Reuniam-se no clube comerciantes, comerciários, industriais, exportadores e importadores, políticos, portuários e profissionais liberais de toda ordem, para o batepapo de fins de tarde, conversas amistosas ou acaloradas discussões.

02/05/2022 10h29
90
Por: Adrovando Claro Fonte: Carlos Frederico
Documentário Carneirinho de Ouro revisita clube e bar da Ribeira

A memória afetiva é o foco principal do documentário "Carneirinho de Ouro - Ode à Boêmia Natalense" (cor, 17’55”, 2021), dirigido pelo realizador audiovisual Paulo Dumaresq e lançado em novembro de 2021. O curta revisita o histórico clube e bar fundado em agosto de 1936, na avenida Tavares de Lira, esquina com a rua Chile, que, através do tempo, movimentou boa parte da boemia no bairro da Ribeira.

Reuniam-se no clube comerciantes, comerciários, industriais, exportadores e importadores, políticos, portuários e profissionais liberais de toda ordem, para o batepapo de fins de tarde, conversas amistosas ou acaloradas discussões. O Carneirinho de Ouro era uma agremiação eminentemente masculina. Para ingressar em suas fileiras, o aspirante tinha que ser indicado por um sócio.

O documentário cobre a história do Carneirinho de Ouro desde sua fundação aos dias de hoje, por meio de depoimentos do escritor e pesquisador, Gutenberg Costa; do escritor e jornalista, Eduardo Alexandre, e do pesquisador Giezy Bethany, afora locução protagonizada pelo próprio Paulo Dumaresq e pela atriz Cristina Carla. Viabilizado pelo edital Fomento à Cultura Potiguar 2020, da Fundação José Augusto, via Lei Aldir Blanc, o documentário teve sua estreia na II Mostra Paulo Dumaresq de Curtas-Metragens, no Bardallo's Comida & Arte. O diretor comenta que a principal motivação para realizar o curta foi a importância histórica do Carneirinho de Ouro para o bairro da Ribeira e, por conseguinte, para a cidade de Natal, principalmente na primeira metade do século 20. "O Carneirinho não está isolado. Ele faz parte de um contexto arquitetônico, cultural, histórico, patrimonial e sentimental da Ribeira.

Outro ponto que destaco é o registro audiovisual em si que servirá de legado para as novas gerações", sublinha o cineasta. O também cineasta Rogério Correa, gaúcho radicado em São Paulo, diretor do longa de ficção "No olho da rua", assim se pronunciou a respeito do curta: "O filme tem um roteiro bem construído. Começa como um documentário que tem o objetivo de denunciar o descaso com o patrimônio cultural de Natal e depois envereda para uma homenagem às personalidades potiguares, tanto populares como da elite. Mas do tom circunspecto da locução on do início, a partir da metade ele adota a forma bem-humorada das antigas locuções exageradas do rádio. Ou seria dos cinejornais? O trabalho vai da seriedade da crítica à ironia da história, que arruina sem dó os ambientes e as relações afetivas de um grupo de pessoas.

O filme é uma reflexão calorosa sobre o passar do tempo, sobre o limite da capacidade das pessoas de manterem aquilo que construíram e amam". Por seu turno, o crítico, pesquisador e historiador do cinema potiguar, Anchieta Fernandes, autor da essencial obra “Écran Natalense – Capítulos da História do Cinema em Natal”, teceu algumas considerações sobre o filme. “Paulo Dumaresq, com este filme curto sobre o antigo Clube Carneirinho de Ouro, como que marca uma nova e especial escola da arte cinematográfica local. Eu diria que é a linguagem de uma nova geração, que chamo ‘geração da pandemia’, uma geração de artistas novos, que não se recolhe sem fazer mais nada, e sim se aventura, e desta época de medo e isolamento social, constrói os novos valores estéticos, mergulhando por dentro da missão de restaurar a nossa memória cultural", assinala o crítico. Prossegue Fernandes: "O filme é de um refinamento exemplar, em uma atmosfera de registro histórico, mas no contexto popular, sem imposições dogmáticas oficiais. A fotografia como que fala por si mesma (ao mostrar a ruína de casas e outros prédios, denunciando a falta de preservação da memória arquitetônica de uma época, e depois a câmera subindo por sobre os telhados sujos, para a visão da cidade distante, além Ribeira, na proliferação de edifícios arrumadinhos, signos dos mandamentos do consumismo).

Emocionante o momento em que o diretor, com a parceira, fica descrevendo os rituais e as normas do clube, lembrando, pelo sotaque empostado, locutores do rádio antigo, precisamente de uma época em que o Carneirinho de Ouro surgiu". A cineasta natalense e montadora do documentário, Suerda Morais, também refletiu sobre a obra fílmica. "O documentário "Carneirinho de Ouro" não é simplesmente um recorte do tempo, de uma parte da sociedade e seu comportamento. O filme traz para roda prédios que falam, muros que agonizam, janelas entreabertas, memórias (quase) desertas e tudo faz da Ribeira um quarto e fundamental elemento.

Bem mais que uma ODE À BOÊMIA NATALENSE, sua composição é um discurso preciso. Um movimento intrépido que ganha amplidão em uma delicada e cadenciada trilha sonora. A narrativa segue na contramão da linguagem jornali ́stica, informativa e institucional. Sua despretensão provoca sentidos, estimula reflexões, alcança luzes, perfaz sua arte", ilustra a realizadora audiovisual.

O “Carneirinho de Ouro” conta na equipe técnica com Alex Régis (direção de fotografia e câmera), Tiago Rocha (câmera adicional), Anderson Régis (assistente de fotografia), Marcelo Barroso (still), Camilla Natasha (direção de produção), Ana Paula Pimenta (produção de set), Suerda Morais (edição e produção executiva), Priscila Régis (maquiagem), Cristina Carla e Paulo Dumaresq (locução) e Nilson Eloy (som direto e trilha sonora). Para acessar e assistir ao curta “Carneirinho de Ouro” é só clicar neste link https://www.youtube.com/watch?v=Jjv0bsFjmFc&t=32s

Ele1 - Criar site de notícias