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Funcionário com covid-19: plano de contingência no condomínio

Com o crescimento descontrolado no número de casos, síndicos devem estar preparados e saber como contornar a situação quando um funcionário for infectado

26/03/2021 10h09
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Por: Adrovando Claro Fonte: Sindiconet
Funcionário com covid-19: plano de contingência no condomínio

Síndicos precisam estar preparados para lidar com a iminente baixa no quadro de funcionários infectados por covid-19. A média móvel diária de casos confirmados no Brasil está em dados alarmantes. Mesmo que essa situação não tenha batido à porta do seu condomínio, tenha um plano de contingência para saber como agir se o coronavírus atingir um colaborador, seja ele orgânico ou terceirizado.

O síndico profissional Antonio Rafacho Netto conta que passou por duas situações em que funcionários orgânicos de condomínios em que atua foram infectados pelo coronavírus. "No primeiro caso, ao receber a notícia, alocamos um funcionário que trabalha no mesmo turno para cobrir o que ficou afastado em quarentena. Já no segundo caso, não tínhamos um substituto para a funcionária  afastada, auxiliar de limpeza, e recorremos a uma empresa de terceirização de mão de obra parceira", relata Rafacho.

Ele explica que o custo do profissional temporário contratado para cobertura do posto foi coberto com saldo ordinário e não houve necessidade de rateio extraordinário. Agora imagine dois funcionários do mesmo condomínio contraírem covid-19 simultaneamente? Pois foi o que aconteceu com a síndica profissional Angela Mendonça. Ela conta que um deles estava com um parente hospitalizado e visitava com frequência e foi infectado em uma dessas idas. Teve sintomas leves e continuou trabalhando sem avisar.

Quando seu colega teve sintomas e a comunicou, Angela contratou exame particular. Com o anúncio do resultado positivo é que o outro funcionário veio falar que estava com os mesmos sintomas dias antes, fez o teste e foi confirmado também. "Este processo todo durou uns dez dias. Não cheguei a contratar postos extras, mas tive que contar com os nossos dois porteiros que restaram saudáveis com a jornada contínua", explica.

PLANO DE CONTINGÊNCIA - FUNCIONÁRIOS ORGÂNICOS

Alinhe com os funcionários a cobertura de colegas em caso de baixa pela doença. Todos cientes, ninguém é pego de surpresa se for acionado 

Folguista pode ficar alocado no posto que sofreu a baixa, com todos fazendo folgas trabalhadas 

Zelador ou outro funcionário pode ser alocado para cobrir o posto temporariamente, recebendo acúmulo de função

Fazer nova escala entre porteiros

Contratação de um temporário para cobertura do posto durante afastamento. Faça uma pré-negociação com uma empresa de confiança. Para os condomínios que contam com terceirização dos postos de trabalho, já há previsão contratual de reposição de mão de obra em qualquer situação, independente de pandemia, explica Moacyr Schittino, gerente executivo comercial da Nova Brasil, empresa do ramo. "Sobretudo nessa situação de calamidade pública, o cliente recebe todo o respaldo necessário para que as atividades de segurança, limpeza e manutenção sigam normalmente, sem prejuízos ao condomínio e, consequentemente, na qualidade de vida dos condôminos", complementa.

No caso da Nova Brasil, há uma sistemática de reserva técnica. "Para cada um de nossos clientes, constituímos uma equipe extra, previamente treinada para qualquer contingência, evitando assim, que as coberturas sejam realizadas por colaboradores que não tenham conhecimento prévio na rotina, regulamento e cultura de cada condomínio", detalha Schittino.

Dos mais de 120 clientes na Grande São Paulo, o gerente da Nova Brasil estima que em 5% houve casos de covid-19. Quando um funcionário falta, a equipe de supervisão, que diariamente faz uma checagem dos postos, identifica a ausência e envia uma equipe extra para cobertura.

Embora sejam orientados a comunicar imediatamente ao supervisor caso tenham sintomas, passem mal ou familiar testar positivo para serem afastado das atividades laborais, nem sempre os terceirizados reportam, deixando o condomínio 'na mão'.

"Em comparação aos orgânicos, o grande problema é a falta de comprometimento de alguns terceirizados, que não avisam quando ficam doentes e só descobrimos a situação porque não aparecem para 'render' o porteiro, que deve ficar no posto até chegar um outro enviado pela terceirizada. É preciso fazer um trabalho de conscientização", desabafa Adriana Araújo, síndica profissional e sócia da Admix Services, que teve baixa de funcionários em sete condomínios da carteira.

PLANO DE CONTINGÊNCIA - TERCEIRIZADOS

Revisar com a empresa contratada plano de reposição de mão de obra

Combinar SLA (acordo de nível de serviço), com cobertura no menor intervalo possível

Checar se as ações de prevenção à covid-19 da empresa incluem:

incentivo à utilização de transporte próprio, com pagamento de gasolina no lugar do vale transporte

medição de temperatura nos postos

fornecimento de totens de álcool em gel

modificações na rotina de higienização dos postos

campanhas de conscientização

revisão periódica dos protocolos sanitários     

Atenção ao caixa do condomínio

Assim como Antonio Rafacho Netto, Angela Mendonça não teve problemas financeiros para pagar as horas extras dos porteiros que trabalharam na cobertura dos colegas afastados por covid-19. Mas nem todos os condomínios têm esse conforto financeiro e devem estar atentos.

"O condomínio tinha dinheiro em caixa. Mas estando 'apertado', acho totalmente pertinente o uso de verba do fundo de reservas e futura ratificação em assembleia esclarecendo as razões e motivos para tal. Afinal, uma pandemia é mais do que motivo para isso", orienta Angela.

Essa não é uma preocupação dos condomínios que já têm mão de obra terceirizada. Zero impacto financeiro com pagamento de horas extras está dentre as vantagens da modalidade, que não deixa o condomínio à mercê de ausências legais.

"A terceirização compreende a prestação de serviços contínua durante 24 horas por dia, sem nenhum ônus aos clientes", destaca Moacyr.

Ações preventivas para funcionários de condomínio   

Independente de o funcionário ser orgânico ou terceirizado, o síndico e o zelador devem passar e relembrar constantemente um conjunto de instruções e orientações aos colaboradores com o intuito de prevenir o contágio por covid-19: 

Uso de máscaras obrigatório durante toda jornada (fornecidas pelo condomínio)

Higienização antes de iniciar a jornada de trabalho

Colocar uniforme ao chegar ao condomínio

Na guarita: interfone, telefone, maçaneta, portas, superfícies e todos os demais itens de uso compartilhado devem ser higienizados com álcool líquido 70% e papel toalha pelo menos na troca de turno. Manter a área o mais ventilada possível

Cuidado especial com pertences de uso pessoal

Auxiliar de serviços gerais e faxineiros devem usar EPIs (luvas, óculos, botas, máscara), especialmente no manuseio de lixo

Manobristas devem usar luvas e abrir os vidros todos dos carros ao estacionar

Copa ou cozinha: cada um deve usar seus próprios talheres e copos

Higienização do vaso sanitário com água sanitária. Pessoas doentes podem contaminar outras pelas fezes

Manter distanciamento social dos colegas e dos moradores

Funcionário com suspeita deve comunicar sua situação e ser afastado até se recuperar

Funcionários com mais de 60 anos e/ou do grupo de risco: avaliar a necessidade de afastamento até ser vacinado ou passar a pandemia.

O condomínio pode avaliar adoção de algumas das medidas abaixo:

Funcionários com veículos próprios: trocar o vale-transporte pelo valor do combustível. Evita-se exposição no transporte público e aumenta o resguardo dos funcionários

Funcionários sem veículos próprios, considerar a possibilidade do transporte particular (táxi, Uber)

"Em condomínios que possuem verba, criamos contas em apps de transporte para retirada e entrega dos funcionários em suas residências, mas muitos não suportam esse investimento, então replicamos os protocolos de biossegurança conhecidos", explica Rafael Bernardes, síndico profissional que teve funcionários com coronavírus em cinco condomínios. 

Moradores também podem contribuir para a preservação dos funcionários do condomínio:

usar máscaras ao circular pelas áreas comuns

respeitar distanciamento mínimo de 1,5 metro do colaborador

nunca adentrar ao espaço de trabalho deles (guarita, portaria, bancada etc)

retirar encomendas diretamente com o entregador sempre que possível, eliminando a etapa de manuseio e protocolo pela portaria

acondicionar bem o lixo e descartá-lo bem fechado

não deixar capacho e sapatos no corredor, evitando que funcionários encostem nos itens durante a limpeza  

higienizar antes e depois do uso equipamentos de ginástica, cadeiras, espreguiçadeiras etc em áreas comuns

precisa falar com o funcionário? Comunique-se pelo interfone ou telefone. Evite contato presencial 

cumprir a quarentena em caso de testar positivo e ser ainda mais cuidadoso na circulação pelas áreas (somente se necessário), descarte de lixo e retirada de encomendas (combine de deixar na porta da unidade)

Portaria virtual ou remota: atendimento contínuo  

A portaria virtual ou remota se mostrou uma grande aliada dos condomínios nesse momento de pandemia, não só em substituição à mão de obra presencial, que já elimina a preocupação de síndicos com baixa de porteiros.

A outra vantagem é a redução dos custos proporcionada pela implantação do sistema - até 30% dos gastos com mão de obra - em tempos de crescente aumento do desemprego e de possível inadimplência da cota condominial. Isso se prova pela alta na procura pelo serviço. "Tivemos um incremento de aproximadamente 35% em nossa carteira de clientes de portaria remota em um ano de pandemia. A procura pelo serviço demonstra que esta é uma solução extremamente viável para condomínios que desejam aumentar a segurança com uma redução da taxa condominial, neste momento crítico", diz Moacyr Schittino, da Nova Brasil.

A portaria remota proporciona atendimento 24 horas por meio de uma central remota que monitora todos os acessos do condomínio, faz atendimento de interfones, controle de acesso de visitantes, aberturas de portões etc.

Fontes consultadas: Antonio Rafacho Netto (síndico profissional), Angela Mendonça (síndica profissional), Moacyr Schittino (Nova Brasil), Adriana Araújo (síndica profissional), Rafael Bernardes (síndico profissional).

 

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