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Mês da Mulher - carreira, maternidade e desafios

Para muitas mulheres, os desafios do home office foram ainda maiores

27/03/2021 11h25
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Por: Adrovando Claro Fonte: Daiana Barasa
 Mês da Mulher - carreira, maternidade e desafios

Shirlei Romero é Consultora em Gestão na Plano Consultoria e nesse dia comemorado mundialmente como Dia Internacional da Mulher, sabemos que há muito ainda a ser repensado, a ser conquistado, a ser ressignificado quando se fala em desafios na carreira feminina.

O que está por trás do ser feminino são fatores históricos, sociais e há raízes muito profundas nessa busca para que cada mulher compreenda o seu papel na sociedade, para que consiga se exercer como ser social, profissional e político. Ao invés de aqui te apresentar uma matéria sobre uma mulher, será mostrada a vida de uma mulher, que com certeza pode ilustrar o que outras mulheres já viveram ou estão vivendo nesse momento de suas vidas.

Uma mulher apaixonada

Shirlei é mãe de duas lindas meninas — e isso já diz muito sobre a admiração dela pelas filhas —  é avó de cachorro, ama tecnologia, inovação, tenta ser fitness, mas a gula não contribui (realidade de muitos, né? risos), principalmente devido à pandemia. Para quem acredita ou é curioso quanto à Astrologia, ela é uma mulher de aquário.

“Eu tenho muitos questionamentos sobre o mundo, sobre como ele funciona, sobre por que certas pessoas agem de certa forma. Dentro dos meus valores, eu não aceito injustiça, eu brigo por injustiça. Eu acho que as coisas devem ser muito claras e objetivas, e você precisa dar o seu melhor nesse sentido”, acredita.

Shirlei acrescenta que de nada vale um belo discurso e nada fazer ou por meio de pequenas atitudes agir de maneira incorreta. “Sempre tive uma visão de coletividade, nunca vi as coisas apenas sob a minha perspectiva. Antes de entrar na Plano, eu estava em uma empresa que pagava PLR. E teve um ano de período de PLR e eu não recebi. Questionei o porquê. Fui falar com o meu chefe se houve problema na minha avaliação, obtive a resposta de que não. Vi que eles usaram a justificativa de afastamentos por atestado médico, o que  é uma justificativa legal, mas isso não constava no contrato de PLR”, conta.

Shirlei a partir disso brigou por seus direitos, foi falar com o diretor da empresa, chegou a criar um comitê para falar disso e foi nessa época que a Plano a chamou para trabalhar e ela aceitou, principalmente por sentir que a empresa anterior não estava sendo ética com ela e com as demais pessoas .

“Gosto muito de trabalhar em grupo, em qualquer sentido. Danço desde os cinco anos de idade, dancei até os vinte e cinco anos. Dancei jazz, ballet, danças tradicionais do Sul. Nasci em São Paulo e cresci em Porto Alegre. Sempre gostei da dança com muitas pessoas, quando se tratava de esportes, sempre optava por aqueles que eram realizados em grupo”. Dentre as atividades que mais gosta de fazer, também está a leitura, embora não tenha tido muito tempo, por conta de uma vida mais agitada, pelo cuidado das filhas principalmente. “Eu tenho uma forte vontade de conhecer o mundo e eu vivo para isso, para conhecer o mundo e para estar com minha família.”

Organização e socialização na pandemia

A consultora também expõe sobre aquilo que foi mais difícil durante a pandemia. Os contatos com amigos passaram a ser por reuniões virtuais, o trabalho precisou ser organizado de maneira que a vida profissional ficasse separada da pessoal, ainda que no ambiente domiciliar.

“Inicialmente foi um caos, eu precisei de ajuda, inclusive terapêutica. Estive em um grau de tensão e estresse muito intensos. Acordava às cinco horas da manhã para limpar a casa, afinal, era preciso seguir restritamente o isolamento e ninguém poderia ajudar. Fora isso, a questão das minhas filhas que também passaram por estresse e tensão, afinal, não poderiam mais ir à escola, a minha menina mais nova de três anos não entendia, e claro, queria  a minha presença ali integralmente”, relata.

Shirlei enfrentou muito medo de sair na rua, de pegar a doença, porque pensava nas filhas e não queria se colocar em risco por essa razão. “Foi um trabalho de formiguinha no início, consegui com ajuda de terapia transpor muitas dessas questões, mas inicialmente foi muito difícil. A empresa entrou na sua casa, o cliente entra na sua casa, não há mais aquela barreira. Meu quarto fica na frente do meu escritório. Então tudo se confundia, às vezes era onze horas da noite, não queria estar trabalhando, mas estava, foi preciso me organizar quanto a horários de trabalho, de almoço, jantar, de estudo, de descanso, etc.”

Agora com o retorno das aulas, Shirlei também conta que as filhas se sentiram mais motivadas em razão da falta que a socialização provocou nos tempos de isolamento. “E eu também pude me organizar melhor em relação a isso, ter um tempo mais livre com as meninas fora, o que era bom para elas e também para mim”.

Uma outra ferramenta importante para que Shirlei pudesse se organizar foi um curso de autoconhecimento: “Nesse curso eu aprendi a dizer os Nãos que eram necessários, a encontrar maneiras de impor ao pai das meninas (sou separada) a responsabilidade, ou seja, às vezes ele ficava com elas para um equilíbrio, já que eu ficava com elas 24 horas. Mas foi o autoconhecimento que me ajudou muito nessa organização na quarentena ou não seria possível.”

Isolamento e home office  sob a perspectiva feminina – Desafios na carreira

Principalmente o home office ganha significado muito diferente quando se pensa sob a perspectiva feminina, afinal, milhares de mulheres tiveram e ainda têm de lidar com o trabalho e conciliação com a maternidade.

Para Shirlei, dentre os principais desafios para que a mulher consiga se destacar profissionalmente, estão: “O machismo, aliás, a comunidade corporativa é muito machista e não apenas o machismo masculino, mas o feminino também. Recentemente dei um treinamento e no final dele agradeci às mulheres e aos “homens mulheres” e não me referia ao sentido de gênero, mas à compreensão desses homens do universo feminino”.

Outro desafio na carreira mencionado pela profissional é o enfrentamento do segundo turno ou até mesmo do triplo turno, afinal, as mulheres além do trabalho têm de lidar com a rotina da casa e poucas têm o privilégio de contar com uma ajudante. “Outro desafio é sempre estar estudando, porque o mundo está girando muito rápido, a tecnologia está mudando muito rápido e o que eu estudo hoje, daqui a seis meses já está evoluído, então é preciso esse constante re(planejamento) de carreira e de conhecimento. Então para uma mulher, ter de separar tantas coisas, estando 24 horas por dia conectada, é um desafio gigantesco. Por isso entendo o porquê tantos casamentos se desfizeram, assim como outros foram regenerados”.

Shirlei enfatiza que há na mentalidade masculina o pensamento de que para os homens não existe essa obrigação, mas a complexidade está no fato de que os homens são criados por mulheres e de que essa é uma questão estrutural complexa a ser desfeita. “Outra questão que levanto aqui é a de que a mulher no mundo corporativo pode trabalhar melhor a questão da emoção, de maneira que possa compreender melhor o outro, enxergar melhor o outro, mas é claro, isso depende de um bom gerenciamento sobre as próprias emoções.”

Igualdade de Gênero

Para Shirlei, há um ponto importante a ser observado já que na busca por igualdade, as mulheres querem ser tão parecidas com os homens que acabam perdendo parte de sua essência feminina, de seus atributos tão importantes, como o do ver por um viés mais empático, ainda mais no ambiente corporativo. “É muito mais comum ver a mulher dividindo os seus conhecimentos do que os homens, por uma questão mais ancestral masculina de querer deter o conhecimento e se destacar dos demais.”

Escolhas Profissionais

A mãe de Shirlei teve um papel fundamental em suas escolhas profissionais e a orientava a estudar, se formar, trabalhar, etc. “Sempre foquei naquilo que eu gostava de fazer. E quando saí da escola, já fui trabalhar, então comecei trabalhando na administração de uma imobiliária, cuidei de toda uma parte de condomínios. Fui para a faculdade de administração, fiz concurso no Hospital de Clínicas, passei, trabalhei um tempo lá e me sentia muito presa, porque é um local em que não se consegue trazer inovações. Saí de lá, fui trabalhar em banco e continuei na faculdade de Administração, quando chegou no sétimo semestre, faltando três para eu terminar, eu estava trabalhando na área financeira de uma empresa e eles me pediram para fazer parte de um projeto de implementação de um software. Fui, me apaixonei, larguei a Administração e fui estudar TI”, conta.

Mulheres que a inspiraram

“Uma mulher que me inspirou é a minha mãe, que é mãe de três meninas, aos quarenta e cinco anos separou e foi estudar para ter uma profissão. Tenho muito orgulho dela. Minhas irmãs também me inspiram muito, a minha irmã mais nova por exemplo, é super despojada, adora estudar. Não posso te trazer pessoas fora do meu convívio, essas pessoas servem de complemento, mas quem me inspira são essas pessoas da minha vida, do meu convívio, que me tornaram parte de quem sou”, finaliza.

 

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