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Cultura Leitura

Métodos para estudar e entender a Bíblia

Artigo do professor Denis Duarte, especialista em Bíblia e Ciência da Religião, e autor de livros publicados pela Editora Canção Nova.

12/09/2021 14h31
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Por: Adrovando Claro Fonte: Assessoria de Imprensa Canção Nova
Foto: Wesley Almeida/CN
Foto: Wesley Almeida/CN

* Denis Duarte

No Salmo 118, versículo 17, lê-se: “Concedei a vosso servo esta graça: que eu viva guardando vossas palavras” (Sl 118,17). Esse é o objetivo deste artigo: auxiliá-lo na leitura da Bíblia, incentivá-lo a fazer um estudo da Palavra; e a quem já faz esse estudo, oferecer ferramentas que permitam um aprofundamento cada vez maior nesse trabalho.

Para isso, é necessário tratar de algumas questões ligadas à exegese e hermenêutica bíblicas. Mas não se assuste. Essas palavras (exegese e hermenêutica) estão mais presentes na sua leitura da Bíblia do que você imagina. Comecemos pela definição desses termos; trata-se de algo muito próximo àqueles que se propõem a estudar com mais afinco a Palavra de Deus. Exegese significa explicação ou explanação. É a arte de expor, de trazer para fora o sentido de um determinado texto. É um conjunto de técnicas e ferramentas utilizadas para entender e descobrir o significado de um texto. Já a hermenêutica diz respeito à interpretação do texto em si. É a apropriação que se faz do entendimento do conteúdo para aplicá-lo no dia a dia. Mas existe no meio do caminho entre a exegese e a hermenêutica um filtro: a Doutrina da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica.

Esse procedimento de filtrar o estudo bíblico serve basicamente para duas coisas: não permitir os exageros e também ampliar o entendimento quando ele é muito limitado. É necessário esclarecer a importância de fazermos esse caminho: estudo (exegese), doutrina (catecismo) e aplicação do texto (hermenêutica). Ler superficialmente um trecho bíblico, sem um mínimo de contextualização e consulta à Igreja, o fará correr o risco de aplicar o texto de maneira equivocada e causar danos a si e àqueles a quem transmite o seu estudo. Daí a importância desses três momentos: estudo mais cuidadoso (exegese), filtro da doutrina (catecismo) e aplicação no dia a dia (hermenêutica). Existem vários métodos de leitura ou abordagens bíblicas que, de uma forma ou outra, influenciam os roteiros ou técnicas que usamos no cotidiano dos estudos da Bíblia. Então, é preciso conhecer melhor alguns deles para que você pense sobre como tem feito o seu estudo e aplicação dos textos da Sagrada Escritura. O método estruturalista distingue-se por defender que na estrutura e na organização do texto está todo o entendimento dele, todo o seu significado.

No método histórico-crítico, a leitura é feita com a historicidade do texto, levando em conta seu contexto. Entende os livros bíblicos como escritos há milênios e busca compreender sua evolução. É também crítica, porque analisa o texto de modo a levantar perguntas e, dessa forma, buscar o maior número de informações, para, a partir daí, encontrar as respostas. A vantagem dessa leitura é que se leva em conta que os textos são a revelação de Deus, mas em situações históricas específicas, considerando a distância temporal, cultural, linguística e circunstancial existente, antes de entender o texto. Na abordagem fundamentalista, a leitura é caracterizada por entender cada detalhe da Bíblia no seu sentido literal. Dessa forma, a leitura torna absoluto tudo o que está escrito, defendendo a todo o instante que a Bíblia não apresenta contradições nos textos e não levando em consideração  o trabalho humano de composição textual.

Podemos notar que todas essas leituras possuem características positivas e riscos. É necessário assimilar o que cada uma delas oferece de melhor. Por isso, leia atenta e repetidamente o texto e busque seu sentido não somente no que está à vista, mas também no que está nas entrelinhas; pesquise o máximo de informações acerca do texto, para que a leitura seja contextualizada e realmente de acordo com o que o autor sagrado quer transmitir; e acredite na revelação de Deus nos textos e na reserva de sentido, ou seja, na constante novidade que o mesmo texto sempre vai apresentar toda vez que se recorre a ele, porque é Palavra inspirada.

* Denis Duarte é especialista em Bíblia e Cientista da Religião. Professor universitário, pesquisador e escritor. Autor dos livros:  “Entenda os textos da Bíblia”; “Cura e Libertação pelas Sagradas Escrituras”; e “Dinheiro à luz da fé”, publicados pela Editora Canção Nova

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